A SABEDORIA ESTÁ NO SABOR DA EXPERIÊNCIA

 

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Domingo, Novembro 15, 2009


Semana passada eu recebi o resultado de uma pesquisa de mercado contratada pela Editora Autentica & Gutenberg, editora que publica os meus livros, sobre o interesse de pessoas acima de sessenta anos em lerem livros sobre o envelhecimento e velhice. Confesso que eu já sabia o resultado. Resumindo as observações dos pesquisados em uma única frase:

Os velhos não sabem, não querem saber, e têm raiva de quem sabe

Em 1970 Simone de Beauvoir publicou o livro A VELHICE e chocou muitos velhos. Ela disse que quando escrevia o livro e as pessoas ficavam sabendo do projeto exclamavam:

"Que ideia! Mas você não é velha!... Que tema triste...".

Simone então escreveu:

“Escrevo este livro para quebrar a conspiração do silêncio. A sociedade de consumo substitui a consciência infeliz por uma consciência feliz e reprova qualquer sentimento de culpa".

Nada mudou desde então. A única coisa a mudar é que temos muito mais velhos do que na década de 60 e 70. Quem duvida é só sair agora na rua e olhar para o primeiro transeunte.

De acordo com o resultado, parafraseando as palavras dos próprios velhos pesquisados, faço este panfleto:


aprendido por Pedro |

 

Quinta-feira, Novembro 12, 2009


Livro infantil sobre direitos dos idosos estréia coleção da Autêntica
Assessoria de Comunicação

Mostrar às crianças que o idoso também tem direito a uma vida digna e respeitada por todos. Com essa missão, de levar aos pequeninos a problemática tratada no Estatuto do Idoso, as autoras Malô Carvalho (texto) e Suzete Armani (ilustrações) lançam, pela Autêntica, o livro infantil Gente de muitos anos. A obra inaugura a coleção No Caminho da Cidadania, que irá abordar, de forma lúdica e didática, temas fundamentais para a formação de crianças. Com um texto leve e, principalmente, cativante, a publicação traz ilustrações tridimensionais, imagens moldadas com massa de modelar, montadas em pequenas cenas e fotografadas. E mais: acredita nesse recurso para chamar a atenção de garotada para os direitos dos idosos, contribuindo para a formação cidadã desses pequenos leitores. Sancionado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, o Estatuto do Idoso é um instrumento fundamental para o exercício da cidadania, desde que seja possível transformar leis e artigos em ações. E é esse o objetivo maior desta publicação.

Para Malô Carvalho, os livros da coleção tratarão de assuntos importantes para o desenvolvimento do caráter das crianças: “o objetivo da coleção No Caminho da Cidadania é apresentar às crianças situações para análise e reflexão sobre valores e atitudes fundamentais à formação moral e cidadã, por meio de exemplos do cotidiano retratados de forma lúdica e divertida. O tema ‘Idosos’, ou ‘gente de muitos anos’, deu início à materialização do meu sonho de trabalhar com as crianças. Este foi o primeiro volume da coleção a ser desenvolvido, inaugurando as temáticas sociais que pretendemos abordar: crianças, animais, professores, água, entre outros.”

De acordo com a ilustradora Suzete Armani, Gente de muitos anos surgiu com o propósito de mostrar às crianças que a velhice é um processo natural do ser humano e que todos os idosos devem ser respeitados. “O tema nasceu com a finalidade de aprofundar o relacionamento e o respeito entre as gerações”, enfatiza.

Envelhecimento em pauta

O tema central do livro Gente de Muitos Anos, o envelhecimento, suas concepções e suas possibilidades, emerge também em outros títulos da Autêntica. Destaque para o livro Envelhecer: Histórias, encontros e transformações, do gerontólogo Pedro Paulo Monteiro, indicado ao Prêmio Jabuti, em 2002. Da mesma autoria, os livros A Beleza do Corpo na dinâmica do envelhecer e Envelhecer ou morrer, eis a questão integram a coleção Envelhecer e viver, nova aposta da Editora em parceria com Pedro Paulo Monteiro, que coordenada o projeto editorial. Além destes títulos, outros dois também são referências no assunto: O sujeito não envelhece – Psicanálise e Velhice e Escrita de uma memória que não se apaga – envelhecimento e velhice, da psicanalista Ângela Mucida.



aprendido por Pedro |

 

Terça-feira, Novembro 10, 2009


Você acredita realmente na sua história de vida?




Ao trazer à tona o acontecimento do passado a lembrança sofre modificações pela situação presente. Porque a história está sendo contada para alguém, e para que ela possa ser entendida, há necessidade de ela ser recriada. Concomitantemente, para cada um que a escuta existe também uma maneira subjetiva de criá-la. Por isso uma história nunca é de primeira mão. Pelo fato de a percepção presente interferir na maneira que contamos uma história, nunca podemos saber verdadeiramente como um evento passado ocorreu.



aprendido por Pedro |

 

Segunda-feira, Outubro 12, 2009


Um vídeo feito por mim.



É preciso transformar adversidade em criatividade.



aprendido por Pedro |

 

Domingo, Agosto 30, 2009


Fui convidado a escrever um artigo para a Revita Matura Idade de setembro.
Segundo a pessoa que me contatou: "A revista Matura Idade celebra a vida, dá as boas vindas àqueles que estão às portas da terceira idade, e acolhe com orgulho àqueles que já adentraram ao magnífico mundo das experiências sem conta... A revista valoriza a auto-estima, a vida produtiva e estimula seus leitores a fazerem escolhas conscientes.
Nossa revista nasce agora. Após longo período de pesquisa e sonhos.
Nasce da necessidade de uma faixa etária expressiva, atuante e produtiva, em se fazer notada e respeitada.
A revista é trimestral a distribuição é gratuita e as matérias principais, são temáticas."

Na Edição de Setembro, segundo número da revista, nosso entrevistado é Rubem Alves.
Como a temática da revista é Literatura, pensamos em brincar com as velhas estórias que habitam o imaginário de todos até hoje, como é o caso de “Chapeuzinho Vermelho”
Pensamos em direcionar os artigos com trechos da música e de algumas falas da estória:

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“A estrada é longa, o caminho é deserto”


Pedro Paulo Monteiro



Viver é caminhar numa estrada deserta e desconhecida. Nunca sabemos qual a paisagem após a próxima curva. Viver é incerto, porque é mudança contínua. Ao mesmo tempo sabemos bem o que ficou para trás, as lembranças iluminam a jornada. Elas são como a cesta de chapeuzinho vermelho. Dentro dela estão todas as experiências vividas. Quanto mais caminhamos mais colocamos na cesta, e nelas podemos confiar porque fomos nós a vivê-las. Ninguém pode viver por nós. Não conhecemos nosso destino, muito menos sabemos para aonde estamos indo. Quando pensamos conhecer bem o caminho, eis que surge uma encruzilhada, e um novo aprendizado. Desconhecemos o final da estrada, mas sabemos que ela termina. Enquanto não acabar estaremos envelhecendo. Essa é a moral da história.
Envelhecer é para todos. Envelhecemos porque vivemos. É por isso que temos escolhas. Ninguém pode dizer que não teve escolha na vida. Se nós podemos mudar, então temos também a oportunidade de optar pela direção a seguir. Toda decisão tem consequências. Se a vida não parece generosa, mude as perspectivas, ainda há tempo. Envelhecer é mudar porque é transformação, um movimento anterior a nos tornar diferentes a cada passo.
Atualmente podemos viver mais do que os nossos avós. A longevidade é uma estrada longa. Temos mais opções do que tínhamos antes. Por um lado isso é magnífico, ter mais tempo de rever nossas ações do passado dando a elas novos significados no presente. Envelhecer compreende rever as experiências. Se o nosso tempo é único, a chance de mudar começa agora, exatamente onde estamos. É aqui e agora que traçamos as coordenadas rumo ao futuro. Por outro lado, é importante cautela. Pois também temos mais tempo de persistirmos no erro, dando voltas sem realizar o que é necessário. Muitos insistem no erro e permanecem perdidos na rota da falsa felicidade. Só existe felicidade quando realizamos coisas boas para nós e para os outros. Aí sim sentimos o contentamento no instante. Mesmo porque a felicidade é fugidia, ela somente pertence ao instante.
Para fazer a melhor escolha é importante saber quem está escolhendo. Decidir não é fácil, a vida é repleta de ambiguidades. São tantos caminhos, e a cada momento nos deparamos com uma nova bifurcação, outro ponto de escolha. Por isso, o autoconhecimento é fundamental. Chapeuzinho vermelho se perdeu na floresta porque se distraiu. Ao estarmos somente no divertimento ficamos no ruído, na confusão de opiniões contraditórias. Toda distração está fora, num lugar onde a ninguém pertence. Evitar entrar em si mesmo, para estar fora, é estar suscetível à perda de direção, solicitando aos outros para assumirem o comando.
Para saber quem somos, é necessário o silêncio, a travessia do deserto, a humildade para se curvar e fazer o caminho de volta. Ninguém pode evitar o inevitável, a companhia de si mesmo. Nascemos sozinhos e viveremos sozinhos, mas não podemos estar isolados, senão morremos.
Hoje sabemos que o cérebro só pode perceber o que está fora a partir daquilo que se encontra dentro. Ninguém pode enxergar com os olhos do outro, nem sentir exatamente o que o outro sente. Podemos compartilhar conquistas, descobertas, sofrimentos, contentamentos, desde que saibamos que não devemos insistir que o outro reconheça nossas experiências. Ninguém pode reconhecer o que ainda não foi possível conhecer.
O autoconhecimento é a saída, uma porta que só abre por dentro. Do lado de fora não há fechadura nem tampouco maçaneta. Fazer o caminho para dentro nos propicia novas paisagens. Não podemos nos perder quando sabemos quem somos e onde estamos. Portanto, é necessária atenção e vigilância. Estar atento é estar incorporado no presente, aceitando a presença de si mesmo.
Somente alcançaremos a maturidade ao assumirmos ser quem realmente somos. Nos tornamos responsáveis, ficamos mais vivos, mais velhos, mais sensíveis, e nada poderá nos afetar, a não ser que permitamos.
No processo de envelhecer consciente formamos escudos de luz para enfrentar quaisquer ameaças de lobos famintos e outros desafios que possam surgir pelo caminho.




aprendido por Pedro |

 

Segunda-feira, Julho 27, 2009


Palavra ao vento, palavra marcada.
Umas palavras para a minha editora

Escrever não é tarefa fácil. A escrita não é natural como a linguagem verbal. Não pensamos muito numa conversa informal, o som flui em tonalidades vocais, altas e baixas frequências dançam pressionando o ar nos ouvidos do outro. Também não nos preocupamos em dizer o que não sabemos muito bem. Justificamos nossas palavras como se o ouvinte tivesse de respeitar nossas opiniões. Se ela é ou não verdadeira, depois, quem sabe, um dia, podemos saber que estávamos equivocados. Tudo é permitido na fala. Insuflamos os pulmões e expiramos em palavras, reproduzindo as idéias. A voz se perde ao vento, não tem marca nem tampouco comprovação. Se não foi gravado ninguém pode dizer o que foi dito. Cada ouvido ouve de sua maneira.
A palavra escrita, por outro lado, é totalmente diferente. Ela fica, permanece marcada para quem quiser e puder lê-la. Pode-se compreender ou não a mensagem. Escrever não é nada fácil, porque os outros são muitos e cada um sabe o que lê com aquilo que tem, os códigos linguísticos. Daí o risco iminente do mal entendido. Por isso não acredito em livro bom ou ruim, creio que haja livro bom ou ruim para mim, um sujeito a interpretar códigos. O escritor necessita de muita humildade e reflexão para não pensar que o outro tem a obrigação de entendê-lo. Se uma pessoa entende não quer dizer que a outra entenderá. Então, eu penso na dificuldade em ser escritor. Ninguém aprende a ser escritor, são os acontecimentos a levá-lo à labuta. Aliás, hoje vejo que ninguém pode aprender uma profissão, pois se aprendêssemos poderíamos escolher qualquer uma, e seríamos sempre bons profissionais. Poderíamos fazer de tudo. O que não é verdadeiro. Tantos passam anos em universidades e não alcançam a capacidade de ser um bom profissional. Enfim, também não sabemos dizer o que é ser um bom profissional, pois depende da avaliação subjetiva. Então eu penso: o que é ser um bom editor? Ler e saber se algo pode ser bom para os outros é deveras impossível. Não se sabe o que pode ser bom para o outro, se vai agradar ou não. O mínimo que se tem é a intuição. Os editores têm de ser bons surfistas. Eles devem ter a capacidade de surfar nas ondas da incerteza, e se divertirem com isso. Às vezes a onda é boa e o fluxo os leva em equilíbrio até a praia, sem quedas, sem esforço, apenas sendo e contemplando o fluir.
Ontem ao ler o artigo “editor, escritor”, no Prosa e Verso de sábado do Jornal O Globo, lembrei-me de você. E fiquei muito feliz por dois motivos: Primeiro, aprendo a me identificar cada vez mais com a minha carreira de escritor, atividade que requer tempo e dedicação contínuas. Segundo, você é uma ótima editora, porque é uma ótima pessoa. Não há como separar nada. Fico muito satisfeito em saber que nossa parceria está fundamentada em contentamento e espontaneidade.




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Terça-feira, Julho 21, 2009



Acumulamos tanto durante a vida e nos tornamos pesados demais.
A velhice é o momento da descarga. É preciso ser mais leve, preparar as asas e alçar voo rumo à transcendência.





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Quinta-feira, Julho 16, 2009


pela morte de um amigo



Fazemos muitas bobagens na vida. Uma delas é saber que sabemos tudo sobre algo. Por isso, possuímos a verdade afiada; construímos impérios indestrutíveis; somos importantes e insubstituíveis; temos um bom carro e uma linda casa; somos vencedores; nascemos e damos vida; ajudamos os outros e falamos mal também dos outros; somos seres superiores por ter algo que muitos não conseguiram ter; somos seres divinos, especiais; temos um corpo perfeito e uma boa postura; somos saudáveis; temos muito dinheiro para comprar o que quisermos; ganhamos prêmios; trabalhamos muito como seres dignos; somos éticos e aproveitamos os prazeres da vida.
Como somos tolos em acreditar que somos bons em tudo, pois a única coisa que somos é aquilo que podemos ser, e mais nada. Sim, e morremos também e nada fica, nada vai, tudo termina num piscar de olhos.
Se você acha que ter é algo bom, eu diria que é melhor Ser e Saber que tudo se esvai num piscar de olhos, e não deixa nada senão uma saudade, Talvez.






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Terça-feira, Junho 23, 2009


A Velha na Janela



Hoje eu vi uma velha na janela.
Ela descoloria a tarde.
Céu azul anunciava a chegada da noite mais fria do ano.
Ela desconhecia, pois o tempo secava ao seu redor.
Hoje eu vi uma velha na janela quando ela estava só.
Ninguém notava, todos passavam.
Eu estava ali, e ela estava na janela, só ela e eu.
Quem poderia vê-la?
Os velhos são vistos quando reclamam, e ela estava distante dela mesma.
O que ela poderia pensar?
Porventura o dia já se foi, ou o dia que está para ir.
Ninguém a via, apenas eu.
Pescoço duro a olhar para esquerda.
O passado era significante, o presente só o ocaso.
A tarde já se ia.
O tempo não queria saber do interesse dela, ele é o que é.
Hoje eu vi uma velha na janela, e ela estava só.



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Quarta-feira, Junho 17, 2009


O sagrado só pode ser alcançado quando nos permitimos sentir


Estou atravessando uma fase terrível de ceticismo. Sem dúvida alguma estou sofrendo, como nunca sofri antes. Não perdi as esperanças, não perdi e não vou perder. Sinto-me às vezes um rabugento, intolerante, impaciente. Outro dia minha terapeuta me disse: “Você é uma pessoa que não se ilude com nada, por isso sofre”. Fiquei a pensar se era um elogio, se era um fato, se era uma crítica. Não tenho resposta, até mesmo porque isso é difícil saber.

Para mim, foi uma revelação quando li Krishnamurti, um mestre espiritual singular:

“Será que existe alguma coisa sagrada que não nos tenha sido revelada pelos nossos pensamentos? Desde épocas remotas o homem se faz esta pergunta. Existirá algo mais, além de toda essa confusão, infelicidade, trevas e ilusões? Além das instituições e das reformas? Existe algo verdadeiro, que esteja fora do tempo, tão imenso, que nosso pensamento não consiga alcançar? A humanidade tem explorado este assunto e, aparentemente, pouquíssimas pessoas tiveram liberdade para penetrar nesse mundo. Desde tempos antigos, o sacerdote vem se colocando entre aquele que busca e aquilo que ele deseja alcançar. O sacerdote interpreta; ele se torna o homem que sabe, ou pensa que sabe, e o explorador sente-se posto à margem, desviado e perdido”.

Quando li isso (e muito mais) fiquei chocado com a minha própria maneira de pensar. Tive de concordar com Krishnamurti, e pensei: Estou perdido!
Preciso de uma resposta. Continuei a lê-lo, e mais uma vez encontrei a resposta que não queria encontrar:

“O pensamento, seja qual for, não é sagrado. É produto da matéria. O pensamento tem origem no conhecimento, e o conhecimento nunca é completo em alguma coisa, pois é sempre limitado e separador”.

Infelizmente tive de concordar com ele. Meus Deus, por que esse homem existiu para me dizer isso? Eu me entreguei, e nunca mais li nada dele. Tenho todos os livros, e os guardo como tesouro, esperando o dia do meu despertar.

Sempre fui cético e eclético, mas aberto ao conhecimento. Acredito que só avançarei no conhecimento se experimentá-lo. Mesmo assim nunca poderei saber se de fato o que conheço é uma verdade, pois o fato pode ser conveniente aos meus interesses, e se isso ocorrer posso usar justificativas para a minha ação. Então como agir?

Cada vez mais vejo o mundo ruir e as pessoas acreditarem ainda em saídas divinas. Como poderia Deus interferir se Ele mesmo nos deu o livre-arbítrio? Se fossemos mais inteligentes talvez pudéssemos sair dessa situação caótica, nos salvarmos. Mas isso será possível enquanto acreditarmos em nosso pensamento limitador e separador? Como a razão, tão reverenciada nos tempos atuais, pode nos ajudar?

Como disse, estou cético. E sendo assim não posso acreditar que a razão humana nos levará à tão esperada iluminação. Nunca tive contato com tanta gente doente, que pensa estar saudável, por acreditar estar no melhor momento da sua vida, só porque se sente bem. Sentir-se bem não significa estar saudável. Será que eu posso me sentir saudável só porque consegui comprar um carro zero? Ou porque tenho tudo o que quero ter?

Hoje em sessão terapêutica perguntei a um dos vários sacerdotes que atendo: “Você concorda que é melhor um sacerdote se masturbar a ser consumido pela pornografia virtual?”. Ele pegou um bloco de anotações e disse que queria anotar o que eu estava dizendo. Então, eu resolvi continuar: “A pornografia pela Internet pode nos tornar refém. Se eu sou um ser autônomo posso optar (livre-arbítrio) por conhecer o meu corpo e buscar o prazer em mim mesmo”. Terminei dizendo a ele: “Não quero dizer que esse seja o caso de todos, mas pense nisso, você pode ajudar a muitos”. Como podemos classificar um pecado, se nem ao menos sabemos o que pensar sobre ele?

Pecamos quando erramos o alvo. Ao nos sacrificarmos demais para alcançar um "ter", pelo qual nos esvazia mais do que nos preenche, estamos pecando. Vejo como as pessoas adoram uma pessoa bem-sucedida.

Outro dia assistia a um programa na televisão (detesto televisão não é por menos) quando vi o Galvão Bueno dando bronca num grupo de pessoas que queria um miserável autógrafo dele. Eu pensei: Ele tem razão de ser tão metido, arrogante e presunçoso. O grupo o nutre com subserviência. Só existe a possibilidade de tomarmos um chá se existir uma xícara. Todas as nossas relações é uma questão de conteúdo e continente. Sem um não existe o outro.

Cada vez mais vejo pessoas doentes, comprando remédios como se compra um utensílio doméstico. Querem ser pacientes (passivos, subservientes, auto-indulgentes). Almejam ter o diagnóstico para ter controle sobre a doença, querem mostrar a ressonância magnética colorida como se fosse um prêmio. E se for permitido querem também dizer aos outros o alto valor que pagaram por tudo isso.

Eu costumo receitar água as pessoas que atendo. E também indico que elas tomem como se estivessem tomando o melhor dos remédios. Peço que elas fechem os olhos e sinta o corpo no momento da ingestão. Elas me dizem que se sentem aliviadas, e que nunca tomaram água dessa maneira, é uma redescoberta. Se elas se sentem assim, ótimo. Pois o que me interessa é levá-las a autopercepção, ao autoconhecimento. Não raro lido com zumbis, e preciso trazê-los de volta. Os xamãs já apregoavam isso desde que o mundo é mundo.

Será então que precisamos de tanta tecnologia? Sem dúvida que sim. Eu adoro a tecnologia. Contudo, em primeiro lugar deve vir o que é humano. Não me esqueço do outro porque ele se mostra como um espelho, e aprendo com o sentir o que ele me revela. Não importa se é ruim ou bom. O que é mais relevante para mim é que ele me faz sentir para depois eu poder pensar, e não o contrário. Experimento o sentir como intuição, transcendência e descoberta. Se eu estou pecando não posso afirmar. O que posso afirmar é que estou cético e isso me entristece.







aprendido por Pedro |

 

 

 

 

 


Somos operários de nossa paisagem mental. Podemos colocar um pouco de drama aqui, comédia ali, ação e aventura acolá. Vamos criando nossa história como brincamos de origami. Se não está bom ainda, destruímos para reconstruir. A forma do mundo é assim, repleta de liberdade. Você é a criança a brincar de dar formas.

Baby Jane


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