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Terça-feira, Abril 29, 2008 |
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“É doce manter nossa mente fora do alcance daquilo que a fere.”
Édipo rei – Sófocles
Em qualquer processo terapêutico a dúvida é a questão principal a atormentar o terapeuta. Ele não sabe se o que o seu cliente diz é verdadeiro, mesmo porque a verdade é relativa. Ninguém consegue contar uma história puramente fidedigna, pois todas as histórias passam pelo filtro da subjetividade. O que o terapeuta escuta e interpreta como sendo coerente é somente um ponto móvel no horizonte. Igualmente, o que o cliente relata já passou por diversas modificações desde o acontecido. E ainda pode ser modificado a qualquer momento, às vezes pelo sorriso despretensioso do terapeuta ou pelo cenho pensativo dele. Nesse sentido, o que é dito e o que é ouvido se tornam enigmas. É impossível saber o que é verdadeiro tanto para um quanto para o outro.
Contudo, para que as pessoas possam estar em comunicação elas precisam construir juntas uma realidade consensual, e se regozijarem com ela. Se não fosse assim, ninguém se entenderia. Mas o que de fato ocorreu? A verdade do fato será inexistente enquanto os sujeitos envolvidos fizerem suas interpretações. Se as pessoas vivem na linguagem, elas elaboram a situação de modo a compreendê-la melhor. Isso significa que mesmo bem-intencionadas as pessoas fugirão delas mesmas, para alcançar uma outra maneira de ser. A fuga tem um sentido, servir de álibi, para justificar a bondade que elas acreditam possuir.
“O coração humano possui tantos interstícios nos quais a vaidade se esconde, tantos orifícios nos quais a falsidade espreita, e está tão ornado de hipocrisia enganosa que ele com freqüência trapaceia a si próprio”
Ítalo Calvino
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aprendido por
Pedro
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Terça-feira, Abril 08, 2008 |
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Marca de 100
Cheguei finalmente à marca dos 100 kg. O peso do corpo é angustiante, não em termos de estética, e sim com relação à minha trajetória de vida. Isso pode ser um mau agouro. Só estive doente duas vezes em toda a minha vida, aos quatro anos de idade ao contrair estomatite, e aos trinta e um por causa de uma erisipela de nariz. Algum tempo atrás esse peso seria impossível, pois a minha preocupação de estar gordo como os membros de minha família era angustiante. Hoje, não sei por que deixei de lado a minha preocupação. Apesar de tentar não consigo emagrecer. Minha médica até desistiu de mim. Nunca desisti de nenhum de meus pacientes. Porém, vejo nisso uma oportunidade de encontrar um caminho. Após meses escrevendo e me estressando para dar o melhor de mim, fui engordando até chegar aqui, aos 100 kg. Muitas pessoas dizem que isso não é um problema para mim, porque sou alto e com ossos largos. Mas e minhas veias, será que elas são largas para conter tanta gordura? Este é o problema. Se eu engordasse sem ter problemas não ficaria preocupado, mas existe algo que não está bem, pois não me sinto satisfeito. Então, se existe insatisfação, existe com certeza um caminho de contramão. Nada pode fluir livremente sem satisfação. É importante pensar o que está ocorrendo no momento presente, e verificar quais as escolhas estamos fazendo. Se você me perguntar se tenho comido muito, posso dizer que não, mas isso não importa pois nem sempre precisamos comer muito para estarmos mais gordos. Minha mãe era enorme e ela tentava comer menos, porém não conseguia porque a comida dava significado para ela. E ela morreu de tanto comer. Será que precisamos comer tanto a ponto de morrer insatisfeito com a vida? Não sei responder ainda, mas tentarei...
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aprendido por
Pedro
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