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Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007 |
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NÃO TENHA MEDO DE PERDER AQUILO QUE VOCÊ NÃO QUER PARA VOCÊ.
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aprendido por
Pedro
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Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007 |
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...E viva o Carnaval!
Nessa época não é preciso acordar cedo para tarefas corriqueiras. A força muscular do trabalho é transposta para o desfile nas avenidas das cidades. O momento é de vestir roupas com paetês, lantejoulas, plumas. Tem de haver brilho, muito brilho, pois a regra está no olhar alheio. As gorduras em excesso foram despejadas nos lixões das academias, ou em sessões de lipoaspiração, dietas e simpatias. Tudo é válido para estar bonito. Quem sabe os espectadores do Big Brother Brasil votem em você para ficar na casa? Valeu a pena economizar o ano inteiro, agora é aproveitar a festa. Se o dinheiro não sobrou, não tem problema, é só comer cachorro-quente em barraquinhas de calçada às cinco horas da madrugada. Se você deixou dívidas pendentes, não se preocupe. Esse assunto é melhor deixar para quarta-feira de cinzas, quando as cinzas terão de ser recolhidas. Agora é momento de extravasar. Abram alas que eu quero passar!
Os dias são ensolarados. A sede está para uma boa cerveja gelada, paixão nacional. É preciso expurgar a repressão, colocar a raiva contida para fora. O povo está assoberbado com notícias ruins, violência inconcebível, mortes desnecessárias. Não se deve deixar intimidar. Porém, hoje é Carnaval, tempo de usar a fantasia para ser quem nunca se foi, ter o samba no pé e risos incongruentes.
As águas vão rolar
Garrafa cheia eu não quero ver ficar
Eu meto a mão na saca rolha
E bebo até me acabar.
São poucos dias. Ao término do Carnaval o país volta a funcionar, ou não? Quem se importa? Quando será o próximo feriado mesmo? Essa é a pergunta do trabalhador brasileiro cujo foco está somente no entretenimento. Quem não se satisfaz com o trabalho, só pensa em ganhar dinheiro para gastar em diversão.
Quanto riso
Quanta alegria,
Mais de mil palhaços no salão.
Trabalho e diversão nunca estiveram tão unidos, vide os lucros das empresas de entretenimento. Será que precisamos pensar nisso agora? Mas se não for agora, quando será?
Esse ano não vai ser igual àquele que passou.
Esse ano, meu bem, tá combinado:
Nós vamos pular separados!
Muitos envelhecem e morrem sem nunca pensar na própria trajetória. Quanto mais velhos, mais lembranças: lança-perfume para jogar no outro (não para cheirar), desfile de corsos, confetes e serpentinas de boa qualidade. "Na minha época era Carnaval de família", dizem os velhos na janela, babando, ao ver corpos quase nus. Eles até acreditam que pensam, mas isso é cansativo demais para uma "pessoa de idade". Então viva a diversão!
Hoje, eu não quero sofrer.
Hoje, eu não quero chorar.
Deixei a tristeza lá fora.
Mandei a saudade esperar.
Hoje eu não quero chorar.
Quem quiser que sofra em meu lugar.
A diversão é fundamental para um povo sofrido. Não se deve pensar demais para não gastar os pobres neurônios ainda ativos. Se eles enfraquecerem, podem deixar de existir. Construir um país cuja superficialidade é ganho de tempo é um absurdo grotesco.
Que tal abrir os jornais, após uma noite de muita bebida e loucura, e ver mulheres maravilhosas, triunfando na avenida no desfile de escolas de samba. A curiosidade do brasileiro é marcante. Muitos jornais e revistas aproveitam o filão, vendendo notícia (que nunca foi notícia). O brasileiro gosta de "estar informado". Ele quer saber quem ficou com quem; o ator famoso que apareceu no camarote da grande cervejaria; o cantor internacional que esteve só de passagem. Precisamos saber se o estrangeiro gosta da gente; se a vilã da novela das oito, é verdadeiramente má; se a fulana mostrou tudo esse ano, ou guardou para o marido. Como isso é reconfortante aos sentidos.
Para que pensar, se o Carnaval é a festa da carne e não da mente? "Estou fora", grita o executivo da empresa, "quarta-feira me torno responsável novamente". Muito bom poder ter a capacidade de ser outro alguém no Carnaval: Ser a mulher sendo o homem, ser o palhaço sendo o sério, ser a vedete sendo a dama da sociedade. O Carnaval é fundamental para um povo cuja identidade está arranhada pela corrupção e desajustes políticos.
Quero me afogar em serpentinas quando ouvir o primeiro clarim tocar.
Quero ver milhões de colombinas a cantar:
Lá, lá, lá, lá.
Quero me perder de mão em mão.
Quero ser ninguém na multidão.
Não devemos falar sobre assuntos enfadonhos nesta época, voltemos a pensar na fantasia que iremos usar. Para que serve o trabalho senão para comprar uma fantasia que custou meses de suor e sofrimento? Nossa cultura judaico-cristã prega que após atravessar o calvário atingiremos o paraíso. Portanto, o tempo da dor se coaduna com o tempo do prazer.
Na avenida estarão os anjos, e a música de ritmo forte e repetitivo silenciará a razão. Carnaval é para estar fora, em carne viva. Deixemos a carne ser o que ela quiser ser. Agora é tempo de retirar a máscara cotidiana para viver o ritmo da selvageria dos instintos.
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal hoje é Carnaval.
Todavia, o que sobrará na quarta-feira de cinzas? Só tristeza.
O Carnaval passou
Levou a minha Rosa
Levou minha esperança
Levou o amor criança
Levou minha Maria
Levou minha alegria
Levou a fantasia
E só deixou uma lembrança.
Pior saber que todos os anos serão iguais. Até quando?
Talvez, até que a morte nos separe do Carnaval.
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aprendido por
Pedro
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Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007 |
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Confissões de um velho
Ao envelhecermos percebemos a mudança de perspectiva. Os valores modificam, as relações modificam. As perspectivas soçobram. Queremos mais, e muitas vezes não encontramos o que procuramos. Sempre acreditei que a minha busca terminaria antes mesmo de minha velhice, mas não, ela continua. É por isso que ainda vivo, pois quando deixar de buscar não terei mais significado, assim morrerei. Antes de morrer ainda tenho de cumprir algo. Se me perguntarem o quê, direi que não sei. Quando sabemos deixamos de lado o conhecido para ir a busca de outros mistérios.
O velho não tem interesses simples, porque a simplicidade não condiz com a velhice. A própria palavra "simples" significa sem dobras, sem rugas. Como posso ser simples se tenho tantas rugas nos cantos dos olhos? Não quero passar a limpo minhas rugas, apenas minhas histórias. A memória é dinâmica, ao trazer à tona fatos do passado, ela se imiscui com o momento presente, se tornando uma única coisa, sem tempo.
Todos os velhos deveriam prestar atenção no presente, colori-lo. Por que as pessoas acreditam tanto no cinza da velhice? Elas perdem a oportunidade de entender que os fatos são novos a cada respiração. Nada ficou no antes, tudo está no durante. Memória é o passado travestido de presente.
O cérebro sempre nos enganou, mas será que existe um "eu" fora dele? Tudo participa do universo corporal. Somos um corpo, referência no mundo. O cérebro é também corporal. Ele não está no topo da montanha, separado da terra. Somos terra, húmus. Enfim, humanos viventes da terra, ao mesmo tempo em que somos a própria terra.

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aprendido por
Pedro
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Domingo, Fevereiro 11, 2007 |
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Quando a história não termina
Viver é ter uma história contínua, como esta:
Óculos molhados de chuva, nariz escorria coriza de anos de exaustão. Lá estava Manoel vitimado pela morte da mulher. Nunca vira antes a cova de ninguém. Essa era a primeira vez. Quanto mais velho, mais despedidas.
O dia estava propício para um bom enterro. Enterro na chuva é melhor, faz mais sentido. O calor do sol na moleira das pessoas confunde pensamentos fúnebres, pode dissipar tristeza.
Manoel era um homem de sorte, teria um dia inesquecível, o início de viuvez. Se perguntassem sobre sua preferência, talvez dissesse preferir os dias ensolarados para enterrar a mulher. Manoel sempre fora uma pessoa preocupada com o bem-estar dos outros. Ainda bem que muitos não vieram para dar os pêsames, a chuva era torrencial com trovoadas assustadoras. Contudo, ele era o marido, ainda, precisava despachar a mulher para o outro mundo. Manoel sempre acreditou existir um mundo melhor, se entregou à religião ainda cedo, sempre fascinado pelos mistérios. Apesar de ser homem simples, queria entender sobre a complexidade.
O caixão já descia na cova pobre, presente do patrão do botequim onde trabalhava há anos, quando o som da voz da cunhada soou pelo silêncio daquela tarde. Ela repetia aos prantos: "Senhor tenha piedade!". Parecia escândalo, mas como os gritos vinham de mulher, era bem aceito. Mulher tem útero, por isso tem permissão de serem histéricas.
Os poucos amigos, porque Manoel era de pouca prosa, arranjaram um pequeno mote para ajudá-lo nas contas dos remédios. Ana era o nome da falecida. Ela ficara doente muito nova, a doença séria carcomeu os intestinos. Soube da moléstia quando deixou de fazer suas necessidades. A coitada não eliminava nem gases. Chegou ao ponto de sofrer dor até nas costas. Ela............
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aprendido por
Pedro
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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007 |
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Bel Barcellos
O Clamor do olhar à espera das dádivas do infinito.
O suspiro do céu, sutil como a morte,
Derrama sobre vestes pálidas.
Olhar mudo, incerteza e desespero.
Que a esperança grite aos sentidos!
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aprendido por
Pedro
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Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007 |
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O Mito de Parsifal
Parsifal encontra com o rei do Graal, cujas terras eram estéreis e desérticas. Lá, ele enfrenta o primeiro desafio de maturidade, tarefa pela qual ainda não estava preparado. Havia no castelo um rei doente, sofria com um ferimento na virilha. Segundo o mito, o rei sofreria a aflição da dor até a chegada de um cavaleiro desconhecido que lhe fizesse duas perguntas: "Senhor, o que vos aflige?", deveria ser a primeira pergunta do cavaleiro ao rei. A segunda indagação seria: "Senhor, a quem serve o Graal?". Nas duas perguntas estaria a redenção do rei e de todo o reino.
Ao ver o rei enfermo, Parsifal lembrou-se dos conselhos de seu mentor Gurnemanz; que a curiosidade era indelicadeza, e que ele não deveria importunar os outros com perguntas tolas. Assim, Parsifal não demonstra compaixão, não dizendo nada.
Subitamente, um grande estrondo de trovão ressoa e o castelo desaparece, enquanto uma voz dizia:
"Jovem tolo, não fizeste as perguntas que deverias ter feito. Se as tivesses feito, o rei teria a cura, e toda a terra seria recuperada. Agora, vagarás pelo deserto por muitos anos, até aprenderes a ter compaixão."
Parsifal percebe a tolice e parte para o deserto frio e cinzento, determinado a conquistar outra oportunidade de ver o Graal.
O mito nos mostra a superficialidade de conhecimento de Parsifal. Se ele tivesse se preparado melhor poderia sentir a força da compaixão e fazer as perguntas certas. Muitas vezes, as pessoas não querem fazer perguntas para não parecerem tolas, aceitando respostas prontas e os desígnios da ignorância.
Se soubermos indagar, quiçá poderemos alcançar novos meios de atingir a compaixão e salvar o rei e seu reino da dor e sofrimento?
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aprendido por
Pedro
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