A SABEDORIA ESTÁ NO SABOR DA EXPERIÊNCIA

 

Adquira o seu aqui  

Adquira o seu aqui

 

 

Adquira o seu aqui

 

 

Adquira o seu aqui

 

 

Adquira o seu aqui

 

 

Adquira o seu aqui

 

 

 


Home


on-line


Sábado, Novembro 25, 2006


Mulher de sangue



A Coluna Partida - 1944


São poucas as mulheres de sangue como Frida Kahlo.
Essa mulher me comove, atira-me na polaridade da existência. Ela viveu intensamente até escarnar o ser. Esfacelou peças de si mesma, expressadas em telas e histórias. Nunca se deixou corromper, já nasceu corrompida. Por isso teve sabedoria em trafegar na ambigüidade da vida.

O sofrer é fato consumado a todos, é preciso desdobrar significados, talhar caminhos. Caso contrário, sobreviveríamos para morrer.
A carne decepada, várias vezes pelas cirurgias submetidas, elevou a vibração de Frida, ao mesmo tempo em que retirou dela toda vitalidade. A dinâmica se perfaz no tempo subjetivo. O tempo dela foi marcado pelo amor, dor, fé, incompreensão, intolerância, liberdade. Ela foi tudo isso, como para cada um de nós. O que a diferenciou foi o fato de sangrar para ser. São poucas as pessoas que sangram no viver.

Tive contato com apenas uma mulher de sangue. Elas são raras, escondidas na senda de si mesmas. O corpo dessa mulher era modelado pelo padecimento por causa da separação do marido, e o medo da solidão. A solidão pode consumir, abrir ferida, mas nada é pior do que a paixão reprimida. Repressão é o oposto de expressão. Frida conseguiu expressar nos pinceis e tintas o sofrer, fez de sua obra um votivo sempiterno.

A mulher cuja expressão era direcionada somente a mim teve um fim silencioso ao mundo, enquanto ruidoso no próprio sentir. Muitas vezes escutei os sons de lágrimas de dor, convulsões corporais preenchido da memória do homem ausente, mesmo de corpo presente. Presenciei o sangue derramar quando a outra mulher, a amante, ficou grávida do marido dela. Ninguém a nós pertence, só as sombras e os escombros.

Diego Rivera, marido de Frida, teve muitas mulheres, inclusive um caso com a irmã dela. O sangue escorria pelos pinceis e a dor na coluna e pernas tornavam-se intoleráveis. Frida escrevera no diário: "Espero a partida com alegria... e espero nunca mais voltar". Esse fora o mesmo pensamento da mulher que atendi anos atrás. O que me deixa rigorosamente inquieto é a questão: podemos partir sem nada levar? Se nos for permitido ir sem sentir, então iremos bem. Se levarmos algo daqui o sofrimento se converterá em trevas.

Ao pensar nas cinzas de Frida Kahlo, hoje emudecidas num vaso pré-colombiano na Casa Azul (Museo Frida Kahlo - Coyoacán), reforço a idéia de morrermos para todos e para tudo em todos os momentos da vida. Porventura, pensar senão no desapego do ser seja a única maneira de sairmos de cena sem ter saudades de nós mesmos.


aprendido por Pedro |

 

Segunda-feira, Novembro 20, 2006


Já não se fazem velhos como antigamente



Sophia Loren, 71 anos, uma mulher que atravessou o século, e ainda é cobiçada por muitos homens. Até mesmo o Arcebispo de Genova assinalou que o Vaticano poderia liberar a clonagem humana no caso de Sophia Loren. Quem é essa mulher? Iconograficamente todos a conhecem, porém é impossível alcançar sua natureza humana. Nada está tão distante quanto a natureza de nós mesmos. Viver pela imagem é viver na ilusão.
Confesso que me rendo à Sophia Loren, ela acaba de conseguir inaugurar um novo modelo de velhice. Não digo isso em termos de biografia, talento, beleza, e sim no sentido de abrir portas para todos que serão, em breve, os velhos sociais (pessoas acima de 60 anos de idade cronológica).


Necessitamos de modelos de referências no mundo. Por assim dizer, nós estamos entrando em novos tempos, o tempo de reinventar a velhice. Na época áurea do Império Romano a expectativa de vida era de 30 anos de idade. Um indivíduo de 50 anos ou mais era considerado um milagre da natureza. Atualmente, no Japão, a expectativa média de vida chega a 85 anos.
Entretanto, é difícil reconhecer a mudança dos tempos, os mais velhos continuam sendo depreciados nos anúncios, nos programas de televisão, nas matérias jornalísticas. Ser grisalho ainda é estigma social. Pensar a velhice no Brasil ainda nos remete ao pensamento de previdência falida, decadente, com perdas de poder como possibilidade.

O renomado antropólogo belga Claude Lévi-Strauss relatou certa vez que os índios brasileiros nambiquaras utilizavam uma única palavra para "jovem e bonito", e uma para "velho e feio". Será preciso atravessar outro século para reconhecer que beleza é expressão e significado, e não somente estética? Não temos a mesma linguagem dos nambiquaras, mas aprendemos a perceber o mundo desse mesmo modo. Se a nossa linguagem é mais rica, por que continuamos a tratar os mais velhos como peças deterioradas? Sem dúvida o contexto histórico e cultural pode muito bem explicar, mas a questão aqui é outra. Se Sophia Loren, com 71 anos de idade, é velha, por que é tão bonita?

A tão esperada edição de 2007 do Calendário Pirelli foi apresentada para a imprensa no dia 16 de novembro no Battersea Evolution Park em Londres. O tema da edição Uma cama e cinco histórias tem o objetivo de revelar personalidades fortes sobre o ambiente nu.
Quando era criança me lembro de apreciar as belas mulheres dos pôsteres da Pirelli pendurados nas paredes das borracharias. Nunca pensei em ver uma velha mulher como modelo, até mesmo porque a velha sempre fora a minha mãe, tia ou avó, nunca objeto de desejo.
Hoje, não me surpreendo em ver Sophia Loren na primeira página do site da Pirelli (http://www.pirellical.com/thecal/home.html).Contudo, aguardo mudanças sem expectativas. Quero exercitar a paciência para constatar que o velho pode redescobrir o seu espaço perdido.

Se o calendário da Pirelle desafia a moda, cria tendências, e modifica o convencional, espero ver o novo surgir num corpo velho. Hoje foi Sophia Loren, amanhã poderá ser a velha Angelina Jolie. Enfim, todos terão espaços criativos para reinventar a vida.




aprendido por Pedro |

 

Sexta-feira, Novembro 10, 2006


Noite de primavera com chuva de inverno

Dia de primavera com chuva fria, quase dez graus. A carne úmida de esmero, e ossos molhados de dedicação ao outro. Não poderia ser diferente, pois toda a vida é uma razão de ser. Cada caminho tem uma escrita, cada passo sua premissa. Na tarde de um conhecer desvelo o sentido, escuto vida, sofrimento e dor. Tudo se faz renovar; a dor se apazigua pela chegada, o sofrimento se desvanece na chuva. Lágrimas não derramadas encontram significados nos pingos das janelas. A sombra está lá, basta luz para conhecer. Cantos escuros e tristes podem ser trazidos à tona para um novo atino. O agora é o tempo, o único entre muitos. Nada foi, tudo está aqui no pequeno espaço no qual somos representados como seres situados. A história pode ser recontada, pois o passado se desmanchou em chuva. Fim e começo são ritos de passagem, memória evocada de algo que nunca aconteceu. Assim somos: tristes criaturas que se enganam para sobreviver. Onde está a beleza? Em saber que o tempo de uma estação nunca será o tempo da infância.
Hoje chove frio em dia de primavera, um inverno primaveril anunciando novos modos de pensar o significado da vida.
Não choremos à juventude que se foi, alegremo-nos pelo tempo que somos.

aprendido por Pedro |

 

 

 

 

 


Somos operários de nossa paisagem mental. Podemos colocar um pouco de drama aqui, comédia ali, ação e aventura acolá. Vamos criando nossa história como brincamos de origami. Se não está bom ainda, destruímos para reconstruir. A forma do mundo é assim, repleta de liberdade. Você é a criança a brincar de dar formas.

Baby Jane


Confiteor


Notas de uma Jornada


Fazendo Diferença


Bambu Oco

 

Verdes Trigos

 

Mama Info

 

Editora Autêntica

 

You Tube

 

Art

 

Getty Images

 

Corbis

 

Stock Photos

 

Whitney Sherman